Delegacia fechada no auge do verão levanta discussão sobre falta de estrutura em Penha
Dom, 07 de Janeiro de 2018 19:07

Penha/SC - O assassinato violento do professor indígena Marcondes Nambla, em Penha, expôs a falta de estrutura da Polícia Civil na cidade. A delegacia estava fechada para atendimento ao público desde 23 de dezembro e permaneceria assim até , dia 5, seguindo o recesso decretado pelo Governo do Estado. Só foi reaberta, dia 3, devido à repercussão do crime.
A notícia do fechamento, que veio à tona com o homicídio, pegou de surpresa o delegado Regional, Angelo Cintra. Ele diz que emitiu uma portaria determinando que as prisões fossem encaminhadas para Balneário Piçarras durante o recesso, mas que a delegacia de Penha permanecesse aberta para o atendimento ao público no período.
O delegado está apurando de quem partiu a ordem para o fechamento, e o responsável poderá responder pela decisão, que colocou a polícia em uma saia-justa.
Independentemente do desrespeito à portaria, o delegado diz que a solução para Penha seria transformar a cidade em comarca. Hoje só são nomeados delegados titulares em municípios que têm o status de comarca, com fórum e Ministério Público. Penha, que é sede do maior parque temático da América Latina e cuja população chega a quintuplicar na temporada, integra a comarca de Balneário Piçarras _ cidade menos populosa e de emancipação mais recente.
O prefeito de Penha, Aquiles da Costa (PMDB), vem pleiteando a criação da comarca de Penha e disse, ontem, que o processo está adiantado. Recentemente a prefeitura enviou ofício ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), oferecendo imóveis, para que a instalação do fórum ocorra ainda este ano. O município aguarda resposta do tribunal.
Investigação
Sobre o suposto atraso no início das investigações da morte de Marcondes Nambla, o delegado regional nega que o caso começaria a ser apurado somente após o recesso, como veio à tona na quarta-feira. Segundo ele, o inquérito teve início assim que a morte foi registrada na Central de Plantão Policial de Itajaí, e vinha sendo conduzido pela Divisão de Investigações Criminais (DIC).